Juventudes, carreira e permanência: por que o problema não está nos jovens, está no desenho das empresas?
- Eureca

- 16 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Durante anos, o mercado insistiu em uma narrativa confortável: jovens não se comprometem, trocam de emprego rápido e não sabem o que querem. O problema dessa narrativa é simples — ela não resiste aos dados.
O Radar das Juventudes #4, estudo da Eureca com mais de 1.000 jovens que participaram recentemente de processos seletivos, desmonta esse discurso ao revelar algo incomodo para muitas organizações: a maioria quer ficar. Mais de 68% dos respondentes afirmam interesse em permanecer cinco anos ou mais em grandes empresas.
Se o desejo de permanência existe, por que o turnover continua alto?
A dor que o RH sente, mas raramente assume na relação entre juventudes, carreira e permanência.
O principal fator de desistência e saída não é “falta de ambição” nem “imaturidade geracional”. É desalinhamento cultural. Ele aparece antes do salário, antes da liderança e antes até das oportunidades externas.
Isso expõe uma falha estrutural: empresas vendem uma cultura no processo seletivo e entregam outra no dia a dia. O jovem percebe rápido e sai.
Por que clareza importa mais do que pressa?
Quase metade dos jovens afirma não ter total clareza sobre o futuro profissional, e isso é visto como um problema por eles mesmos. O impacto direto? Insegurança, menor engajamento e maior risco de rotatividade precoce.
Aqui surge um ponto crítico: processos seletivos genéricos aumentam a frustração. Quando a vaga não explica o dia a dia real, o negócio e as expectativas, a chance de quebra de expectativa cresce exponencialmente.
O processo seletivo como primeiro contrato psicológico.
A pesquisa mostra que a maior parte das dificuldades enfrentadas pelos jovens não é técnica, mas operacional: plataformas ruins, instruções confusas, etapas longas e falta de feedback.
Isso gera uma dor clara no mercado:
RHs sobrecarregados
candidatos frustrados
marcas empregadoras desgastadas
Empresas que tratam seleção como funil operacional estão, sem perceber, investindo contra a própria retenção.
O recado é direto.
Juventudes não querem menos trabalho. Querem trabalho que faça sentido, com crescimento, feedback e coerência. Quem insistir em ignorar isso continuará gastando mais para contratar — e perdendo rápido quem entra.




